jump to navigation

Capítulo 3 – Uma adolecente diferente

Sei que é muito difícil de acreditar que exista uma adolecente diferente, pois é, eu era uma delas, chamava minha mãe de mãe na frente de todos, minhas amiguinhas de colégio achavam horrível, onde já se viu chamar a mãe de mãe na frente de todos!! Elas tinham vergonha da mãe, eu achava o cúmulo, pois eu tinha muito orgulho da minha. O pai era a mesma coisa, quando ele ia me buscar e dava carona para algumas de minhas colegas elas morriam de vergonha. Eu entrava no carro e pulava no colo de meu pai para beijar e abraçar, elas ficavam espantadas, acho que era por nao ter isso em casa, algumas chegavam a negar carona para nao “pagar mico”. Eu achava tudo aquilo maluco.

Sempre me interessei por assuntos diferentes de minha colegas, militava na UJS, trabalhava vendendo cosméticos, para ajudar em casa, fazia massagem e gostava de tudo isso, vendi sanduíche na praia para ajudar a pagar as prestações da casa, vendi roupas na praia. Comecei a vender aos 8 anos: saia com minha irmã Libertad para vender cosméticos na UFSC, onde meu pai dava aula e o faz até hoje; eu enchia tanto os colegas de meu pai que eles compravam tudo que eu vendia, era muito divertido.

Música então, era um escândalo, ouvia Chico, Caetano, Milton, Mercedes Sosa, Rolando Boldrin, inclusive amava e amo até hoje assistir seu programa, que na época era Som Brasil na Globo, hoje assisto com meu marido e minha filha de dez anos o Senhor Brasil que passa na Cultura. As festinhas americanas me irritavam e eu não entendia o que aquela gente falava, para mim eram fúteis e chatas, eu gostava de namorar como toda a garota de minha idade, mas gostava de brincar de esconder, pular no mangue e fazer muita bagunça como sempre. Saía mais com minha mãe para me divertir do que com minhas amigas, minha mãe era divertidíssima, nós iamos ao bar do Frank, ela bebia todas. Uma vez saimos de lá umas 6 horas da manhã, enquanto as pessoas normais iam trabalhar nós iamos para casa dormir, encontramos no ônibus um amigo de meu pai, e ele não conhecia minha mãe, deu em cima dela e me perguntou o nome da minha amiga, tivemos que mostrar as identidades para que ele acreditasse que ela era minha mãe, foi muito engraçado. Fazia a mesma coisa com minha irmã mais velha, Libertad, só que ela não bebia muito, era muito engraçado de qualquer jeito, pois nós saíamos de roupa de festa e chegavamos pela manhã, daí íamos comprar pão em uma padaria próxima a nossa casa e o dono da padaria achava que nós nos vestíamos daquele jeito para ir comprar pão.

Começou a época da paquera, namorícos e ficar! Pois é namorei muito, paquerei e fiquei, meu primeiro namorado foi secreto, uma experiência muito boa, ele era meu vizinho, lindo, divertido e carinhoso, só que como eu tinha uma fama de briguenta e chata e provalvelmente era mesmo. Nós namoramos escondidos durante dois anos, depois desse periodo resolvi que queria que ele assumisse, ele negou-se e eu pedi um outro vizinho que era totalmente apaixonado  por mim, namoramos por muitos anos. Depois sai de casa e ele ficou morando com a mãe dele, em 1999 ele foi embora, acabou se matando por causa de problemas com drogas, foi a maior perda de minha vida.

Fiz muita festa em minha vida, curti minha adolecencia como vi poucos fazer, viajei, namorei, fugi de casa mesmo quando morava sozinha, tive amigos de tudo que foi tipo, loucos, certinhos, irresponsáveis, responsáveis demais, burros, inteligentes, gazeadores, caxias, mauricinhos, patricinhas, porra loucas, sem noção, ricos, pobres, espíritas, evangélicos, negros, brancos, vermelhos, amarelos, xiques, relaxados, verdadeiros, mentirosos, lindos, feios, magníficos, decepcionantes, angelicais, duros, frios, “quentessss”. Todo tipo de gente que passou em minha vida, uns ficaram, outros só passaram e se foram, outros ainda permanecem só que distantes.

Me diverti muito na minha adolescência, me divirto muito até hoje, mas nada como pesar 15kg a menos e ter 15 anos a menos. Outro dia fui tentar subir em uma árvore foi um fiasco.

Minha adolescência foi muito diferente e muito feliz e como todo ser humano tenho muita saudade dela, mas como uma boa amiga ou alguém que já partiu, minha adolescência ficou e eu continuei, e prossegui da mesma forma, mesma filosofia, o importante é ser feliz…

capítulo 4